segunda-feira, 24 de agosto de 2009

As tchutchucas do Maracanã

A disputa de bola entre Fluminense X Barueri (não dá pra qualificar aquilo como um jogo de futebol) foi um dos episódios de maior sofrimento coletivo que já presenciei no Maracanã. Todavia, uma torcedora me chamou a atenção por contrastar com o clima geral. Enquanto uma mistura de ira e melancolia tomava conta de todos, a citada moça soltava sonoras gargalhadas na arquibancada. Alheia ao futebol do nível técnico de uma pelada no Aterro, a sujeita se distraía jogando de um lado para o outro as madeixas- tingidas em um tom amarelo-ovo- e falando ao celular.

O que a faceira jovem fora fazer no Maraca, eu não sei. Mas pelo gestos, pelo shortinho (que deixava à mostra a pôpa do popô) e pelo blush (em quantidade que a deixava a fuça da boneca Emília), só me resta uma certeza: a blondie se dirigira ao estádio para fazer qualquer coisa, menos assistir à partida de futebol.

Mas a protagonista do episódio acima não está sozinha. Ela é mais um espécime de um grupo conhecido pelos frequentadores de estádios de futebol: as tchutchucas de arquibancada. A maioria das tchutchucas é flamenguista, já que pra elas é mais fácil seguir o senso comum e - é claro- a maior concentração de homens. Porém é difícil definir o verdadeiro time da tchutchuca, já que ela torce mesmo é para o clube do namorado ou peguete ou alvo da vez. O do jogador gatinho da vez, tipo o São paulo na época do Kaká, também arrebanha algumas indivíduas.

Animais de hábitos variáveis, podem andar sozinhas, em dupla, em bando ou (como preferem) acompanhadas por um macho da espécie. O macho, a propósito, é o alvo principal dessa categoria de ser humano (?) quando se dirige aos estádios. E elas os subdividem em duas categorias: o brucutu acompanhante, que serve bem furar a fila do mate e para deixar as outras tchutchucas arrancado os pentelhos de inveja na arquibancada; e o restante, que está ali para reparar no quanto aquele top transpassado da Flu Boutique valoriza seus peitos, no quanto sua bunda é melhor que a da tchutchuca ao lado e no quanto, enfim, ele está perdendo enquanto prefere prestar atenção naquele contra-ataque.


Na torcida do Fluminense - pra exemplificar com maior conhecimento de causa- existe um elemento que torna mais fácil a identificação de uma tchutchuca de arquibancada: um indefectível vestidinho verde e grená de comprimento similar aos usados em zonas de meretrício. Meu irmão, barangueiro confesso, até hoje se vangloria por ter presenciado a comemoração de uma adepta do modelito que, num momento da empolgação, executou movimentos mais espontâneos e deixou à mostra uma lingerie com as cores do clube.

Contudo não sou uma moralista, como podem estar pensando. Quer ir pro Maracanã, Morumbi, Barradão ou São Januário de shortinho desfiado e piercing de umbigo à mostra, que vá! O que me irrita mesmo nas tchutchucas é o fato de elas se interessarem tanto por futebol quanto eu por matemática financeira e, ainda assim, acharem que têm direito a um lugar nas aquibancadas.

E aos que me acusam de antidemocrática, desafio: assista a um jogo no qual o seu time joga com João Paulo na lateral enquanto ouve uma sujeita dessas entoando gritinhos estridentes ou impropérios do tipo: "Amor, o Obina não vai entrar?"

15 comentários:

Fabricio Yuri disse...

a mina do meio parece contigo, hein tatiele? ja virou casaca???

Samia disse...

A da esquerda é gêmea da Viot ahaha

Juliana disse...

Thati, devo discordar: a maior parte das tchutchucas de arquibancadas é tricolor.
É impressionante a quantidade de delineador utilizada e a preocupação em se fazer escova antes do jogo. Elas fazem do Maraca um esquenta pra night.
Já ouvi até papo no estádio em que a mulherada dizia prefere ir a jogo do Fluminense porque tem gente mais abastada! hahahahahaha

Triste, minha amiga, muito triste isso!

Juliana disse...

Mas as tchutchucas que mais me irritam são as "groupies vascaínas".

Elas tem entre 16 e 19 anos, demonstram sua paixão de forma exacerbada (mais do que qualquer bacalhau fanático), vão a quase todos os jogos e treinos.

Agora vem a pegadinha: na verdade, elas não são vascaínas! Elas torcem pros jogadores "gatinhos" (o goleiro Tiago normalmente é o favorito) e ficam disputando entre si o grau de intimidade com eles. Ganha status quem deu mais toco.

Quando você zoa uma delas chamando-as de fãs e não de torcedoras, elas ficam revoltadinhas. Mas basta você perguntar porque levaram bolo de aniversário pro Alex Teixeira e não pro Vilson que elas logo ficam sem graça, mudam de assunto e começam a xingar os outros times. :-P

Ô raça!

Cheshire cat disse...

E as que aparecem no estádio de salto alto, tropeçando nas cadeiras? Vontade de matar.

Musa de Caminhoneiro disse...

Porra, Fabrício. Se eu realmente me parecer com essa baranga, vou me jogar no chafariz do downtown!

Musa de Caminhoneiro disse...

Ju, essas vascaínas são réplicas pobres das kakazetes!

Fórmula Zuuum disse...

Puxa, Musa. Que situação, heim?! Ver seu time indo pra cucuia e ainda aturar estas espécies (serão elas mamíferas?) no ouvido... Dê como sugestão às tchutchucas o chafariz do DownTown. Quem sabe elas fazem um bem a todos nós. Bjs

Juliana disse...

Ah, Thati, o rancoroso do Ademir está lhe mandando lembranças!
Ele guarda perfeitamente no coraçãozinho ranconroso o seu comentário acerca da ida dele ao "jogo do rebaixamento". :-P

beijodepracinha disse...

pois é... depois que vi (e reconheci) mais uns dois ou tres posts do musa por la, eu desconfiei disso. mas daí eu ja tinha deixado o recadinho. rsrs
beijinhos! jane

Ian Marlon disse...

Olha, não é que isso acontece? eu nunca tinha reparado nisso ... até ler sobre!

Caramba ... to chocado! eu convivia com isso e nunca tinha me tocado!

Mas é ... vivendo e aprendendo

Ruiva disse...

E quando uma feladaputa dessas vai com o seu grupo e, além do maldito salto alto, leva uma bolsa mega gigante e pede pra VOCÊ segurar? Prefiro ficar em pé, ao lado de um monte de velho resmungão que só fala mal do time, a fazer um favor para uma sujeitinha assim. Humpf!

Fera disse...

Foi ao jogo do Mengão ou inventou que as meninas eram rubro-negras para não falar do FlorminenC ?

bjs...

tá tudo bem aí embaixo?

disse...

Esse tipo de capim de Torcida Organizada já é coisa das antigas em terras paulistas. O que tem de mulher que não pode ver um cara com toquinha de tricô até os pés com as cores do time do coração não é brincadeira. O que eu fiquei realmente curioso, Tati, é nesse vestidinho grená. Esse modelo não é usual. Tem foto em lugar nenhum não ?

Anônimo disse...

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