domingo, 23 de maio de 2010

O pitboy erótico


Essa aconteceu faz tempo. Alguns anos, pra ser mais precisa. Mas como foi relembrada em um relato de mesa de bar, dia desses, achei que valeria ressuscitá-la aqui no Musa e consequentemente, ressuscitar o combalido Musa, que anda às moscas devido a uma fase de preguiça literária da autora.

O episódio começou a se desenrolar em um convescote em razão de um aniversário dessa que voz fala. Especificando, foi um animadíssimo churrasquinho na laje em uma casa no Morro do Palácio, comunidade onde eu costumava comemorar minhas primaveras. Enchia a cara de bebida alcoolica fermentada, comia aquela carninha e socolejava o popô ao som de funk com os amigos quando, entre um hit de duplo sentido e outro, adentra o local um grupo de moçoilos demasiadamente musculosos. Apresentando-se como amigos do meu irmão (por que não me surpreendi?), penetraram no evento sem qualquer demonstração de constrangimento pelo fato de NÃO ter sido convidados.

Enfim... abstraí. Afinal, não seria um grupo de penetras brucutus que iria estragar o animado evento em comemoração ao meu ??? ano na Terra. E não estragaram mesmo, já que, contrariando todos os progósticos e as visíveis limitações dos rapazes citados, os mesmos se comportaram de forma muito civilizada. Mas é como diz a máxima: quando não se caga na entrada, na saída a merda vai aparecer. E veio o dia seguinte.

Atendo o telefone da minha residência e uma voz masculina, em tom exageradamente formal, pergunta: "Boa tarde. O Xerequinha está?". Diante das minhas gargalhadas de perplexidade, o sujeito esclarece: "Desculpe, o seu irmão". Ah, tá, pensei. Mamy e papy criaram um filho para ser rebatizado com um dos pseudônimos do órgão sexual feminino? E que tipo de ser humano liga pra casa de um amigo (em tom formal) referindo-se ao mesmo por um apelido tão, digamos, prozaico? Mas isso não vinha ao caso, pensei, já que o Xerequinha, quer dizer, meu irmão, não estava presente e eu queria despachar logo o sujeito que acabara de interromper o meu cochilo cura-ressaca.

Porém, para a minha surpresa, o autor do citado telefonema revelou que não queria falar com o Xerequinha. O alvo, na verdade, era a minha pessoa. Segue o diálogo:


- Pô, gata... sacoé? Vou mandar a real pra tu. Não era com o teu irmão que eu queria falar, não. Era contigo.
-Ahn?
- Isso, mermo! Queria falar contido. Sabe qual foi? Eu tava ontem no seu aniversário, sou o Fulano.

"Senhor! Era um dos penetras brucutus!", realizei. E apesar de estupefata (ou por causa disso), segui educamente o diálogo?

- O que você quer falar comigo, querido Brucutu? (fala adaptada)
- Pô... várias paradas... é que fiquei te olhando ontem, sabia? Tu tem o maior pernão.

Não... aquilo não podia estar acontecendo...

- Fiquei doido. Me amarrei naquele seu vestidinho.

Que delicado! Que lisongeiro! Que sutileza para uma primeira abordagem com uma semidesconhecida!

Já sem nenhum traço de paciência, decidi não prolongar o tempo que havia cedido ao brucutu, menos pelo sono da ressaca do que pelo medo do que estava pro vir do outro lado da linha. Mas antes que conseguisse desligar, ele insistiu:

- Pô, gata. Seu irmão volta hoje?
- Creio que sim. Mas agora realmente preciso desligar
- Pô, tô te incomodando, né?
- Na verdade, sim.
- Tudo bem então. Mas me fala uma coisa... posso passar aí mais tarde?

E foi nesse momento que eu garoteei. Afinal, acreditei que depois do fora monossilábico o cidadão teria se tocado de que não encontraria caroço no meu angu. E achei, sinceramente, que a visita solicitada seria para o amigo Xerequinha. E percebi que me enganara redondamente quando, depois de responder que sim, ele poderia passar na minha casa, ouvi a pergunta quase retórica.

- Ah é? Posso ir mesmo? Posso ir quente que você vai estar fervendo?

Decididamente, devo ter feito algo para merecer tamanhas provações...




7 comentários:

Naila disse...

Hahahaha. Parece que essas coisas só acontecem com você... e com a Andrea. Por que será?

Musa de Caminhoneiro disse...

É a lógica do maluco atrai maluco.

Juliana disse...

Saudades do Musa e da Musa!
Ri novamente com essa história, pqp!

Renata disse...

Porra, muito bom! Tinha que ser com você mesmo. O Musa tem que voltar!!!!!

Samara disse...

Oi musa!! adorei a história!!! mas fiquei curiosa pq o apelido Xerequinha???!!

Musa de Caminhoneiro disse...

Seguinte, Samara... o apelido é culpa da minha mãe. Quando criança, meu irmão- então um pequeno gaiato- tinha mania de esconder o seu pequeno piu-piu de modo a imitar a pequena dita cuja. Mamy, em momento infeliz, contou a história em uma roda de amigos dele. Desnecessário dizer que o pobre foi massacrado, né?

Anônimo disse...

Putz, se chamam o teu irmão de xerequinha, eu nem quero imaginar o apelido que dão para você na intimidade oculta... Turminha boa essa do teu brother !