Vindo pra casa hoje, mal-humoradíssima depois de ter que trabalhar gripada, numa segunda-feira com temperatura siberiana para padrões do rio de janeiro, me deparo com um ex-affair num boteco da minha rua. Um espécime do tipo "pavão", que dispensei depois de umas cinco ou seis saídas por um motivo simples: o figura se achava a última coca-cola gelada do deserto.
Antes de eu contar o que ele me aprontou no fatídico encontro de hoje, vou dar um breve curriculo do referido. É um moçoilo bonito, do tipo que atrai atenções, entendem? Pois é...O problema é que ele sabe disso. É única razão que encontro para explicar por que um cidadão se acha no direito de me ligar às 2h da manhã de uma sexta-feira e, sem dar sequer um boa noite, executar a seguinte ordem:
- Vem pra cá agora! Tô te esperando. Mas é pra vir rápido!!
Como assim, cara-pálida? Tudo bem que ele era até gostosinho e tal...Mas pra me tirar da minha caminha- ou de qualquer lugar em que eu esteja numa madruga de sexta-feira- é preciso muito poder de persuasão.
Mas a sutileza do rapaz não se restringia aos convites para encontros. Ele também foi um tanto imperativo quando tivemos, digamos, um momento de maior aproximação. Pra não explanar detalhes- já que, embora não pareça, sou uma moça tímida- posso revelar que o maior gesto de carinho com a minha pessoa que o dito cujo teve foi algo do tipo: "Agora vira aí que é a sua vez!"
Isso sem contar que o idiota fazia questão de contar na minha frente causos que davam a entender que ele saía com outras mulheres, além de ter me apresentado para a mãe dele da seguinte forma: "Aí, mãe! Mais uma que tá caidinha pelo seu XXX (o nome dele no aumentativo)"
Enfim...O fato é que eu sou uma musa muito tolerante mas, definitivamente, homem que se acha acaba com todo e qualquer interesse. Por mais lindo e gostoso que seja. E como não poderia deixar de ser, enchi o saco! E como também não poderia deixar de ser, ele ficou igual a um vira-lata abandonado atrás de mim depois disso. Até chegar ao ponto de correr- literalmente, dar um pique- atrás de mim num dia em que recusei uma cerveja que ele me ofereceu e deixei o cidadão com o copo (e outra coisa) na mão no mesmo boteco da minha rua em que nos esbarramos hoje.
E como todo homem, além de palhaço, é burro, o galãzinho não aprendeu a lição. Passo hoje em frente ao bar rumo à minha casinha- gripada, mal-humorada e com frio, como já sabem- quando o dito cujo me chama. Não ia, mas ele insistiu:
- Tá mó nariz empinado, hein? Chega aí!
Fui. Ah...Se arrependimento matasse. Ele estava acompanhado de um amigo que, pelo sotaque, não é daqui. Fudeu!! Uma platéia nova! Era tudo que o palhaço queria para apresentar um novo número. E lá foi ele:
- Aí, fulano. Essa aqui é a rainha do Big Brother (querendo dizer pro cara que tinha pego alguém importante, como se eu fosse importante pelo fato de ter sido mera redatora do site do realyt show)
- Sô rainha de nada não! Era uma mera redat...
Tentei minimizar, mas ele me interrompeu:
- Que nada, fulano. Jornalista fodaça. E já foi muito minha essa aí. Já passei muito por aí!! Agora que não quer mais saber de mim!!
Como assim??? Muito minha??? Cinco ou seis saidas com apenas um momento de, digamos, maior proximidade??? Num fode!!! Tive que mostrar que a banda não toca bem assim:
- Não quero mesmo. Eu gosto de homens decentes.
Enquanto o amigo gargalhava, ele tentava amenizar o passa-fora mudando de assunto:
- Fez o que no fim-de-semana?
- Fui pra Bucowsky
- Conheço não...é boate?
- Não exatamente. É meio bar também. Toca rock.
- Ih...mudou de ares agora, é? Tá chique?
E virando-se para o tal amigo, manda essa:
- Na minha época, ela só ia pra sambinha pé-sujo!
"Minha época"?? Puta quil pariu! Não merecia ouvir isso numa segunda-feira glacial, gripada e de mau-humor. E como quem fala o que quer, ouve o que não quer, fui obrigada a deixar de lado a boa educação que mamy e papai me deram e mostrar, definitivamente, que a banda não toca bem assim:
- Tomar no cu, garoto. Nunca houve a "sua época". Se situa!
E saí sem dizer tchau, deixando ele lá sem saber onde enfiar a cara de tacho diante do amigo, que se acabava de rir da mesma!
Como diz minha amiga Andréa...A culpa é do piru!
