
Preciso compartilhar com vocês um episódio ocorrido comigo dia desses. Saía do trabalho meio estressada e decidi assistir a um filme sozinha pra desanuviar as paranóias. Fui ao Unibanco Artplex, em Botafogo, um cinema bacana, mas com um probleminha...É frequantado por gente hype. Os malditos muderninhos, sabem?
Enfim...melhor do que o cinema do Bay Market, onde o povo de Gonça comparece com o único intuito de chamar de “gostosaaaaaaaa” todas as atrizes que aparecem em cena.
O fato é que estava eu lá, tomando um café, quando percebo um sujeito me olhando. Estilo muderninho, estudante da Cal. Cachecol no pescoço, boina...Estranhei o fato. Se ele não era da turma de cinema da Uff, não faria sentido me conhecer. Até que a ficha caiu!! Era um ex-quase-namoradinho de estágio, que não via há mais de cinco anos. Éramos explorados juntos em uma agência de publicidade, lá pelos idos de 2001, e tivemos um daqueles romancezinhos de colega de trabalho, uma diliça! Saíamos pra beber de segunda à sexta no Arco dos Teles e ficávamos beijando na boca horas enquanto ele esperava a barca comigo. Tão gentil, o moço. Morava em Anchieta, mas só ia embora depois que eu pegava a barca. Fofo!
Pois é...não percebi na época, mas acho que havia mais fofura no âmago no rapaz do que a demonstrada na estação das barcas. Explico as razões da minha desconfiança:
Quando reconheci o moço, dei um tchauzinho, toda empolgada. Aí ele veio falar comigo. Mas era visível que tava meio sem graça, o dito cujo. Papo vai, papo vem, e mando aquela pergunta básica para os amigos desaparecidos.
“E aí, Fulano? Ta fazendo o que da vida? Ainda trabalhando em agência?”
Eis que o menino menino, depois de um suspiro, comunica, com voz estranhamente mansa:
“Mudei radicalmente!”
E me conta que largou a publicidade pra estudar teatro, está trabalhando na Record e cursando Belas Artes na UFRJ. O diálogo, diga-se de passagem, tinha um espectador: a alguns metros de distância, um rapaz, igualmente adornado com boina e cachecol, nos observava com cara de pouquíssimos amigos. O fato é que meu ex-quase-namoradinho de estágio, sem saber se respondia as minhas perguntas ou se olhava para o tal rapaz, optou por me dizer um “bom te ver, a gente se fala”, apressar a despedida e ir embora, ladeado pelo tal amiguinho que o aguardava ansiosamente.
Cachecol? Voz macia? Curso de teatro e faculdade de Belas Artes?? Gente, desculpem o meu preconceito politicamente incorreto...Mas são muito indícios somados, né não?
Queridos 12 leitores, please!! Ajudem-me a responder a pergunta que ficou no ar...Será???
