terça-feira, 4 de setembro de 2007

Ócio nada produtivo

Estou em uma semana de transição: pedi demissão do meu emprego e irei para uma outra empresa. Como só começo no novo trabalho na próxima quarta-feira e já deixei o antigo, ficarei uns diazinhos em casa. Que maravilha...quase dez dias de ócio para fazer coisas altamente produtivas como atualizar o Musa, ler revistas da TV de jornais de domingo antigos, dormir depois do almoço e ver capítulos perdidos de Paraíso Tropical na internet. Seria uma temporada de felicidade plena não fosse ela...Mamy, cada vez mais empenhada na missão de me levar a cometer um ato insano.

Nunca vi coisa igual. Minha presença em casa num dia de semana representa pra mamy a aquisição de um boy. Vou na rua fazer favores pra ela, no mínimo, três vezes por dia. O que é totalmente sem propósito se vocês considerarem que, em uma só saída, eu poderia comprar o cigarro, a carne do jantar, o pão e "uma caixinha de sabão em pó pra aproveitar a promoção". Mas não! A memória de mamy, assim como o seu bom-senso, não é confiável. Vou buscar o João na escola? É certo como chuva em dia de finados que ela vai me pedir pra comprar "uma coisinha" quando eu ponho os pés em casa, embora tenha me visto sair e passado meia hora reclamando da vizinha comigo no portão, enquanto eu tentava (em vão) me despedir.

Aliás, as reclamações de mamy são outra razão do meu suplício. Tô lendo meu Rubem Fonseca, deitadinha na cama, ouvindo um blues pra não desconcentrar, quando ela invade meu quarto (mamy não entra, invade) e dá fim ao meu raro momento de paz com suas lamúrias. A vizinha que não quer podar a árvore ("aquela velha escrota"), a minha cunhada que não arruma o quarto depois dos momentos "a sós" com meu irmão ("não sou camareira de motel"), eu ("só sabe comer e ficar no computador")...Todos são alvos de sua língua ferina!

E vocês pensam que as lamúrias de mamy se resumem a frases curtas, como as reproduzidas aqui?? Não, leitores. Mamy não fala, faz discurso. Ela não comenta, analisa. Ela acaba com o meu dom de conseguir ouvir as pessoas sem escutar...fueda!

Hoje mesmo. Tava pegando um solzinho na varanda mesmo, pra tirar o tom bege desbotado da cara, quando ela chega. E já entrando de sola!

- Até que enfim você saiu da frente daquele troço (mamy só chama o meu computador de troço). Por que não aproveita e vai dar uma caminhada na praia pra emagrecer? (ela também não passa um dia sequer sem me lembrar do meu sobrepeso)

Fico calada. E torcendo para que minhas mini-férias acabem logo. Definitivamente, o sujeito que inventou a máxima "o trabalho enobrece o homem" deve ter sido casado com uma antepassada de mamy.

4 comentários:

Marcela disse...

Essa é a minha tia...só quem conhece sabe...rsrs

leo disse...

fueda mesmo!
a minha é muito parecida. um dos fatores decisivos q me levaram a sair de casa foi o fato de minha mãe ñ suportar a idéia de ver ninguém dormindo no final de semana até às 12h. quando eu era moleque ela "invadia" o quarto gritando, com o passar dos anos ela foi aprimorando a técnica de "lavar" (leia-se bater) as panelas às 7h de um sábado (!) de modo q era impossível continuar dormindo. era foda! certamente a nusa deve ter passado por situação parecida tb.
feliz aniversário, musa!
bjs

Fábio disse...

E você não perde a compostura? Merece o prêmio Nobel da Paz.

Juliana disse...

Aguarde: o JP vai ter que te aguentar muito ainda! Nao dizem que maes sao todas iguais, só mudam de CEP? :-P
Tô brincando. Vou te dar umas velas de aromaterapia e um livrinho de mantras. E só por garantia, uns tampoes de ouvido tb...
Bjss