sábado, 31 de março de 2007

Chamava-se Edson o substituto do Alexandre. Foi cobrir o turno do nosso condutor falante em um plantão, já que o mesmo encontrava-se cansado e, malandramente, pagou ao amigo para dirigir em seu lugar. Até aí, tudo bem. O que não imáginávamos é que o nosso amigo Edson, além de não saber andar na cidade, conseguia a proeza de falar mais do que o condutor que substituía. Sim! Ele falava muito mais do que o Alexandre.

E não eram meras histórias de amigos cultivadores de maconha em Maricá. O sujeito falava da sua própria vida. Tudo. Biografia completa. No primeiro dia em que me levou, soube em menos de 20 minutos que ele morou na Vila da Penha com a mãe, mas que agora morava sozinho, que não sabia fazer tarefas domésticas porque teve duas empregadas na infância, que a segunda mulher o havia deixado (imagino porquê) e que seu sonho era morar em Vargem Grande, onde 'macaquinhos invadem os quintais'. Não foi privilégio meu ouvir os relatos. Os outros dois amigos que chegaram depois de mim também foram contemplados com a biografia do condutor no trajeto para o projaquistão.

Bem...e se na ida o sujeito já se sentiu íntimo a ponto de me contar a vida em detalhes, imaginem na volta? Por medida de segurança, saquei meu Ipod genérico da bolsa e fingi que estava dormindo, pra ver se o figura se calava. E deu certo! Quer dizer, quase...

Quando chegávamos ao destino final, desliguei o ipod genérico e 'acordei', para mostrar a ele onde iria ficar. Dois minutos. Tempo suficiente pra ele puxar a seguinte conversa:

-Você é vegetariana?
-Não, por que seria? Tenho cara de quem é vegetariana?
-Não. Tô perguntando pelo seguinte: eu adoro um churrasquinho. Não vivo sem uma picanha. E em outubro é meu aniversário, sabe. Parece longe, mas o ano voa, né? Então...tô pensando em fazer um churrasquinho. Regado, hein?! Não gosto de mixaria. Coisa de 1 quilo de carne por pessoa. Pra agradar a gregos e troianos. E ó, não tem essa de asinha de frango não. Faço logo a coxinha que tem mais carne!


Meus Deus! Estaria o motorista (que nunca havia me visto mais gorda) me convidando pro aniversário dele? Mas o que já era ruim ficou ainda pior. Quando me preparava pra descer do carro, ele pergunta:

-Mora aqui em Botafogo?
-Não, Niterói
-E vai pra casa como depois?
-Pego o 996, passa na minha rua
-996? Ah, bom saber! Quando tiver uma festinha lá em Niterói e "a gente for convidado", já sei que ônibus pegar!


Era fato! Ele não só me convidara para o aniversário dele (em outubro) como se auto-convidara para uma futura festinha na minha casa. Devo merecer...

4 comentários:

Juliana disse...

Pelo menos, os motoristas dos meus "Mercedez" sentam longe de mim e passam a viagem caladinhos.
Tudo bem que eu não trabalho no Projaquistão, mas numa comparação geográfica, devo parar ali pela Ucrânia...
Bjss

Tio Xavier™ disse...

Nas raríssimas ocasiões em que não ando no meu corsinha velho, eu pego táxi. Tenho uma técnica infalível para me livrar de papos de motoristas. Saco da agenda e me revezo entre falar ao celular enquanto faço apontamentos. É infalível. Abriu a boca, eu ligo para alguém virtual e anoto coisas na agenda.

Mas de tudo prefiro ainda manter a manutenção do popular em dia.

thales disse...

De orelha em pé!

Claudia disse...

Thaty, ainda não tinha conhecimento do seu blog. Apenas hoje vi sua mensagem.
confesso que estou atarefadíssima no trabalho, mas desde às 10:30 não consigo parar de ler.
As histórias são todas divertidíssimas e até meu mau humor foi para o espaço.
O que é o seu amigo X, hein?! e o motorista do Dobló? Ahahahahahaha.
É Thaty, esse é apenas um dos motivos pelos quais venho, aos poucos, detonando meu orkut. Comecei pelas fotos e scraps... em breve, adeus para todos.
Santa ignorância... Só ainda não fiz isso porque mesmo com tanta bizarrice, ainda me divirto com histórias como as suas.
Tá de parabéns pelo espaço!
Um grande beijo em você e no filhote. Meu João Pedro tá cada dia mais lindo.
Deve ser de nome né? rs
Bjks,
Cláudia